Ando há imenso tempo a pensar no que devia escrever sobre este assunto.
Não que seja novidade, porque já escrevi no blog antigo e já dei a minha opinião.
Mas agora, tendo em conta o referendo, e já que o estado se demitiu das suas funções habituais em que legisla, como bem lhe apetece sem dizer água vai, vejo-me obrigada a fazer alguma campanha.
O assunto é delicado e tem muitas ramificações, mas a resposta a dar é obviamente SIM.
Tenho visto alguns debates e fico chocada com a arrogancia dos defensores do NAO que se acham moralmente superiores e vivem noutro planeta.
Num planeta que não é de certeza Portugal, mas sim num Éden, como todos nós gostariamos, cheio de familias e crianças felizes.
Acho que há muita gente que não tem moral para falar de alto, a começar pelo Paulo Portas, grande defensor da vida e da religião, mas que na sua vida pessoal não aplica as suas altivas convicções.
O que me leva à questão central.
Só quem passa por uma gravidez é que pode exactamente saber a benesse ou terror que isso pode ser na vida de uma mulher.
E só uma mulher pode decidir se quer levar essa gravidez adiante ou não, sem tabus, nem vergonhas que levam a clínicas nojentas que desfiguram o interior de tantas miudas, algumas com doze e treze anos, que ficam com mazelas para o resto da vida, ou morrem mesmo.
Ninguém que defende o SIM gosta de abortos,nem acha que é algo que se faça de ânimo leve, isso é uma estupidez de se dizer.
Defendemos a educaçao sexual, a prevençao e em caso de gravidez o aconselhamento sério e sensato.
Eu tive uma filha com 16 anos e toda a gente me disse para abortar,sim porque nessas alturas a moral das "tias de cascais" vai pelo cano abaixo.
Até me telefonaram pessoas que eu não conhecia de lado nenhum a meterem o bedelho onde não eram chamadas.
Eu quis ter um filho e assim o decidi.
Foi o que senti que queria na altura e só a mim me cabia decidir.
O corpo era meu e sim, as mulheres têm o direito de se sobrepor a uma vida que é igual a uma planta ou célula.
Claro que de um zigoto virá vida, mas essa questão é puramente filosófica.
Um aborto até ás 10 semanas não é um homicidio e nao me venham falar de criançinha!
Não há criançinha nenhuma ainda nessa altura, não há uma consciencia, como tal não há crime.
Há é muitas crianças abandonadas em instituiçoes prontas para serem adoptadas, já que há tanta preocupaçao, os apoiantes do Nao que as adoptem em vez de quererem obrigar umas desgraçadas a terem filhos que não querem.
Os filhos só devem nascer se forem queridos e desejados, não para serem deitados no lixo ou serem abusados.
E se a minha filha que tem agora 18 anos engravidar, o que espero que não aconteça, porque aposto na prevençao, e decidir após grande reflexão e apoio que não quer ter um filho agora, deve poder fazer um aborto com todas as condições e obviamente sem se arriscar a ser presa.
E também não me venham dizer que ninguém vai preso, primeiro porque já aconteceu, segundo, porque a humilhação e o cadastro numa aldeia até podem ser piores, e terceiro, porque as leis sao para se aplicar, ou andamos aqui a brincar com o código penal?
Em ultima análise, eu posso pagar e ir a Espanha ou Londres fazer um aborto em segurança, o que torna isto tudo mais estúpido e injusto para as desgraçadas que já pouco ou nada têm e ainda sao forçadas por esta sociedade hipócrita a trazer mais um ao mundo cruel em que vivem.
De qualquer maneira continuo a achar que se os homens engravidassem, já haveria mais clínicas legais do que lojas de chineses.
Seria uma evolução se o Sim ganhasse.
Um passo à frente.
Pensem bem e votem...SIM.